12 de novembro de 2019
Tô com um problemão e preciso de uma resposta rápida. Aliás, tenho vários problemas. Tomar decisão cansa e estressa. Meu amigo falou pra fazer terapia.
Na primeira sessão já chego com uma lista. Só tenho uma hora e a consulta é cara. Preciso ser eficiente.
Começou e já penso: taxímetro rolando. Trouxe 5 problemas e já até calculei o valor da resolução de cada um. Vamos lá terapeuta, são 20 minutos pra cada problema. Eu até já tinha mandado a lista por email, mas parece que ela não leu.
Já passaram 10 minutos e ela perguntando sobre minha família?! Vamos focar né? Respondo o mais breve e rápido possível. Pareço um locutor de rádio.
Ela tá com um decote e meu corpo insiste em ser multi-tarefa. Enquanto eu aprecio a beleza ao mesmo tempo me culpo por cair nesse golpe tolo.
Vinte minutos se passaram e ela pergunta da minha infância. Finjo uma ligação no celular e falo: “como assim?” bem alto. Vou saindo da sala. A recepcionista me pergunta se eu gostaria de acertar o valor da consulta. Faço um sinal de espera com a mão e continuo a conversa imaginária no telefone.
O elevador tá a dez passos de mim. Aperto o botão. O elevador chega em 5 segundos que parecem 5 minutos. Entro. A porta tá fechando e vejo a recepcionista vindo em minha direção. Aperto o botão pra fechar a porta. Foi a última vez que ela me viu. Ela, como a terapeuta, demoraram demais.
***
Li num artigo que mais pessoas fazem terapia atualmente. A vergonha de falar que faz terapia passou. Aliás, terapia hoje é muitas vezes motivo de orgulho e vantagem evolucional. O problema das pessoas que fazem terapia hoje é querer que o terapeuta seja rápido e diga o que você tem que fazer.
A terapia não te dá a resposta. Ela te ajudar a chegar nela. Entretanto, tempo é dinheiro e paciência é uma virtude. Marquei uma sessão com um coach, dizem que é bem mais rápido e barato.